SP: adolescente criou deepfakes de 14 colegas de escola e publicou em site adulto por vingança, diz polícia

INDAIATUBA — Um adolescente de 14 anos confessou à Polícia Civil ter produzido e divulgado deepfakes de colegas em um site pornográfico como forma de vingança após deixar uma escola particular no interior de São Paulo. O caso mobilizou famílias, gerou pânico entre estudantes e levou a uma investigação que terminou com buscas em duas casas de um mesmo condomínio.
O que aconteceu
Segundo a investigação, o garoto manipulou o rosto de ao menos 14 amigas em montagens de nudez. As imagens foram publicadas em uma plataforma adulta sediada em Luxemburgo. A delegada Fernanda Hetem, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Indaiatuba, afirmou que o adolescente mirou especialmente três colegas.
Ele queria se vingar após ter sido transferido para uma escola estadual por dificuldades financeiras da família. Depois da mudança, passou a acreditar que os antigos colegas o rejeitavam. Dizia chamá-los para sair e, pouco depois, via fotos deles reunidos sem sua presença.
Como o caso veio à tona
O registro foi feito em setembro, quando uma das vítimas encontrou sua própria imagem alterada no site. A mãe acessou a plataforma e identificou mais fotos da filha, levando outras estudantes a descobrirem montagens semelhantes.
A DDM enviou um ofício à empresa em Luxemburgo e recebeu dados de IP ligados a dois imóveis de um mesmo condomínio. A polícia então conseguiu mandados de busca e apreensão para as duas residências.
Como foi a investigação da polícia
Na casa de uma adolescente, ela negou envolvimento e disse ter compartilhado a senha do Wi-Fi com o colega suspeito. Já na residência do garoto, ao ver a apreensão de notebooks, computadores e celulares, ele confessou. Os pais ficaram em choque ao descobrir.
O celular dele foi enviado para perícia, e o inquérito foi concluído. O caso segue agora para a Vara da Infância e Juventude.
Medo entre as famílias
Por se tratar de um site internacional, algumas mães temeram que as filhas estivessem na mira de redes de exploração sexual. A delegada explica que a confirmação de que o autor era um adolescente trouxe alívio.
Como ele tem 14 anos, o caso é tratado como ato infracional. Não há prisão nessa idade, mas podem ser aplicadas medidas socioeducativas como advertência, acompanhamento técnico e prestação de serviços.
Crescente risco de deepfakes em escolas
A situação reflete uma tendência observada por entidades que monitoram violência digital. Segundo a SaferNet, dezenas de adolescentes já foram vítimas de deepfakes sexuais desde 2023, especialmente em colégios particulares.
Como denunciar
Conteúdos relacionados a abuso e exploração podem ser denunciados no site denuncie.org.br.
Relatos de vítimas de deepfakes podem ser feitos anonimamente em https://bit.ly/pesquisadeepfake ou pelo canal de ajuda da SaferNet.
